E ELES INSISTEM...
Brasil e Colômbia (14.10.2007).
No alto do morro. A mais de dois mil e seiscentos metros de altitude. Um encontro de dois times, apenas. Futebol, mesmo, só num ou noutro lance fortuito. Porque, lá no alto do morro, nem mesmo os jogadores colombianos parecem mais acostumados. Jogam, quase todos, em times de outros países, em condições normais de altitude.
Foram noventa minutos de um futebol arrastado. Sem brilho. Sem criatividade. Porque, pelo que dizem os especialistas, na altitude ou você pensa, ou você corre. Fazer as duas coisas, impossível. E futebol exige isso, pensar e correr. Passar e deslocar-se.
Houve um lance bobo, que observei, bem no meio do campo: Ronaldinho tocou para Robinho, que devolveu à frente, como seria o normal. Mas, cadê o Ronaldinho? O fôlego, que fica pouco, deixa o jogador mais lento, como se estivesse com preguiça. Até o goleiro Júlio César estava estranho: desde o início, eu reparei que ele demorava muito a repor a bola. Não acho que fosse cera, acho que era lentidão do pensamento, além da necessidade de esperar que o time, lentamente, se posicionasse.
Enfim, um jogo em câmera lenta. Sonolento. Que só a teve a emoção de uma cabeçada colombiana, bem defendida pelo Júlio César, e mais nada. Restava torcer para o juiz, para a bola, para qualquer outra coisa, porque seria inútil esperar uma jogada mais trabalhada, um lance de genialidade. Gol, então, só se fosse de bola parada, por brincadeira de algum espirito de porco que estivesse no gramado. Como não existem espíritos, nem de porco nem de outra coisa, ficou tudo igual. Na pasmaceira.
E eu pergunto: por que eles insistem? Por quê? A dona FIFA já até ameaçou proibir jogos em cima do morro, mas recuou. Por quê? Eles, às vezes, ganham um ou outro jogo lá, em cima do morro, mas depois apanham como gente grande nas altitudes normais dos outros países. E, pelo que se viu, ontem, até os jogadores colombianos sentiram a altitude. Ou será que eles são, mesmo, assim tão ruins?
ISAIAS EDSON SIDNEY - 5:32 PM