QUE TIME É ESSE?
Quando ganharam o PAN, entrei na paranóia que eu sempre condeno do uso do mas. Pensei: como jogam bem, mas o time dos Estados Unidos (sempre muitíssimo forte) não veio com suas principais jogadoras. Besta que eu sou. Esse time é bom, muito bom, é pra lá de bom. É ótimo.
Claro, estou falando de Marta e companhia. A melhor jogadora de futebol do mundo tinha, afinal, um time com quem jogar. Mas... (a maldita adversativa aí de novo) é cedo ainda. Vamos ver na Copa do Mundo, na China.
E aí veio a primeira fase: em 4 jogos, 13 gols feitos e dois apenas tomados. Vítimas: Nova Zelândia, China, Dinamarca e Austrália. Deram show, só bobearam um pouco contra a Austrália, que chegou a empatar de dois a dois. Mas... olha aí a danada de novo: vêm aí as meninas do Estados Unidos...
E não é que, como se fosse não futebol que se vê, mas futebol que se sonha (quando a gente dorme e sonha que nosso time deu um baile no adversário!), as garotas estadunidenses não viram a cor da bola! Levaram de quatro e podia ter sido mais... Um jogo histórico, um jogo em que a Marta até inventou um drible que eu nunca tinha visto ! Quatro a zero. Nos Estados Unidos, quase sempre o melhor time de futebol feminino do mundo!
Aí, tirei definitivamente o mas de meus elogios.
Que time é esse?
Um belo, belíssimo, time, sem dúvida nenhuma, o time de Marta e companhia. Um time de belas jogadas, de belos gols, de belos cabelos, de belos rostos... Poque essa seleção é bela, belíssima, em todos os aspectos.
Ainda não ganharam a Copa do Mundo (falta a Alemanha), mas... aí, sim, vou escancarar uma adversativa: nem precisa ganhar, não. Já fizeram tudo o que um time de futebol tem de fazer: já jogaram com raça, já jogaram com prazer, já jogaram com velocidade, já jogaram com graça...
O título, se vier, será apenas uma piranha a mais nos cabelos de nossas meninas...
E nem vou chorar, por isso, nem reclamar que elas não têm apoio aqui, no País do Futebol, mesmo jogando como estão jogando. Merecem, as nossas belas meninas, ser recebidas com festa, em desfile de carro de bombeiro, com ou sem a taça. Pela alegria que trouxeram a esse nosso atual nem tão alegre futebol de meninos que mal saem dos cueiros e já vão pr’as europas!
Que time é esse? Um time cheio de raça, cheio de graça!
P.S.:
Titulares: Andréia, Aline, Tânia e Renata Costa; Ester, Maycon, Formiga e Daniela Alves; Ela e Cristiane.
Técnico: Jorge Barcellos.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 4:43 PM
Quarta-feira, Setembro 19, 2007
SÓ OS PERNAS-DE-PAU SE IRRITAM COM A CRIATIVIDADE
Data: 16 de setembro de 2007. Local: Mineirão. Jogo: Atlético e Cruzeiro, pelo Campeonato Nacional. Alguns poucos detalhes: o Cruzeiro faz dois a zero. O Atlético vira para três a dois. Cruzeiro, de novo, na frente: quatro a três.
Não é preciso mais, para definir um jogo eletrizante.
Quase no final, Kerlon, o garoto cruzeirense que está sendo lançado aos poucos, entra em campo. Já é famoso: inventou o drible da foca. Consiste em fazer embaixadinhas com a cabeça e entrar na área. Aos adversários desesperados, cabe apenas a falta, às vezes o pênalti, para impedir a progressão para o gol. É o que, em geral, fazem os beques atrabalhoados. Mas, não o Coelho, lateral do Atlético. Irritado, entra com violência no Kerlon e arma-se a confusão.
Ora, senhor Coelho: irritado por quê? Por uma bela jogada, que levanta o moral do time, que faz vibrar o torcedor? Não se pode mais exercitar a arte do drible, da criatividade?
Lembram o Garrincha? Quer dribles mais desmoralizadores do que os que ele aplicava em seus marcadores, os joões que, muitas vezes, acabam sentados vergonhosamente, enquanto o diabo de pernas tortas passava como um passarinho sem asas?
E o Rivelino, com seu famoso elástico? Não era, também, para desmoralizar o seu adversário? E o Robinho, com suas célebres pedaladas, para assustar e desorientar os marcadores ineptos, diante da novidade?
E nem vamos lembrar as jogadas de Pelé e Maradona. Nem a folha-seca de Didi. Nem os dribles desconcertantes de Ronaldinho Gaúcho. Nem tantos e tantos dribles de deixar o adversário sem ação, como a meia-lua (ou drible da vaca, nome que eu acho mais engraçado), os chapéus, as embaixadas... Enfim, há um repertório de jogadas bonitas, que têm, sim, o objetivo de superar o adversário, de desmoralizá-lo um pouco, mas não de irritá-lo.
Mesmo quando a jogada é de deboche, não se justifica a violência. A falta é do jogo, e ninguém que se julgue humilhado pode ser condenado por fazê-la. Mas, não precisa ser com irritação, com ódio, com violência, com o intuito de quebrar o adversário, só porque ele é tecnicamente diferenciado. Eu disse difirenciado: nem precisa, portanto, ser melhor.
E Kerlon, o menino do drible da foca, embora seja um bom jogador, é ainda apenas um jogador diferenciado. Tem um longo caminho para chegar a craque. Se os coelhos da vida deixarem. Poque, pela violência e pelo ódio demonstrados pelo defensor ao jovem talento, só resta a ele voltar à mediocridade ou arriscar-se a levar uma botinada de um grosso qualquer e abandonar para sempre o futebol.
E falando em abandonar para sempre, acho que o gesto do Coelho não é caso para simples suspensão: devia ser proscrito para sempre dos campos. Porque futebol é arte, é vida, nunca violência, nunca ódio, principalmente contra uma jogada que, pode, sim, ser desconcertante, mas é uma bela jogada.
Não devemos ter complacência com os violentos. Não devmos ter complacência com os que odeiam o belo. Punição, e punição exemplar para eles. E vivam os kerlons, os rivelinos, os ronaldinhos, que é deles a história do futebol, não desse bando de pernas de pau, que só sabem dar pancada. Nem dos que os defendem.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 1:47 PM