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Terça-feira, Abril 18, 2006

 
CAMPEONATO NACIONAL: UM EM CADA CINCO VAI PARA A SEGUNDA DIVISÃO




O Campeonato Brasileiro que começou nesse fim de semana apresenta algumas características que vão desafiar jogadores e técnicos: vinte times, quatro candidatos à segunda divisão e duas fases, com um intervalo no meio, para a Copa do Mundo.

O fato de haver apenas vinte clubes é altamente positivo, pois deve-se premiar a qualidade e não a quantidade. Um campeonato inflacionado de times ruins não leva a nada. Se há um número menor na primeira divisão, acirra-se a concorrência, afunila-se a peneira de revelações de novos craques, dá-se mais importância às demais divisões. E todos ganham: clubes, público e patrocinadores. Ainda acho que dezesseis times, com apenas os dois últimos indo para a segunda divisão, seria o ideal, mas este já está de bom tamanho.

O problema, para os clubes, está na queda de quatro times. Aí o bicho começa a pegar. Porque não há candidatos natos ao rebaixamento, ao se nivelarem os times dentro de uma competição em dois turnos de pontos corridos. O jogo em casa passa a ser supervalorizado: quem perder pontos em seu estádio pode começar a pôr as barbas de molho. Será sério candidato a espernear para não cair, principalmente os times considerados grandes. Isso levará a que não haja, pelo menos no primeiro turno, favoritos ao título. Os jogos fora de casa deverão se transformar em verdadeiras batalhas e desafios para os grandes. E nesse quesito, o Palmeiras e Goiás, por exemplo, já começaram mal, o primeiro ao perder para o Guarani e o segundo ao empatar com o Santos: em casa não se ganha um ponto, perdem-se dois. Que irão fazer falta.

A interrupção para a Copa do mundo será outro complicador: quem conseguir manter o elenco e a concentração pode se dar bem. Será um desafio para os treinadores: equilibrar o ócio com os treinos excessivos e a ganância de diretores de futebol de marcar amistosos inconseqüentes. E quando recomeçar, pode ser uma outra competição, com novos desafios e novos times e nova motivação.

Portanto, o Campeonato Nacional que começou promete ser um dos mais competitivos até agora, mesmo que o nível técnico, por todos os motivos que já sabemos, não seja ainda o que todos queremos. Mas não faltará emoção, do princípio ao fim, diante das várias disputas que nele estão embutidas, como classificação para a Libertadores e para a Copa América, além da disputa pelo título e a luta para não cair para a segunda divisão, o que ocorrerá com um entre cada cinco times.

ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:04 PM


Segunda-feira, Abril 10, 2006

 
AGORA QUEM DÁ BOLA É O SANTOS...




O que escrever sobre o novo campeão? Os chavões de sempre, de que a imprensa já se cansou de abusar? Afinal, não é todo dia que um time sai da fila para ser campeão após quase 22 anos! Um título histórico. Tudo chavão de cronista sem ter o que dizer. E a gente repete como papagaio, enquanto os jogadores agradecem ao técnico a oportunidade e por aí vai, como sempre, a pobre prosa futebolística nossa de cada dia.

Não, não vou tecer loas ao campeão. Todos já o fizeram. Vamos baixar um pouco a bola e tentar entender um campeonato estranho, como o paulista de 2006.

Para começar, um campeonato curto: apenas 19 rodadas, com vinte times. Com pontos corridos, o que foi ótimo. Mas, sem o returno, os riscos eram grandes: não havia tempo de recuperação. Venceria, pois, o time que melhor jogasse com o regulamento e não perdesse pontos em casa, por exemplo. Foi o que o Santos fez: 10 jogos em casa, 10 vitórias.

Qualquer vacilo seria fatal e o São Paulo amargou a perda do campeonato por ter entrado de ressaca do título mundial, no começo, e ter perdido pontos preciosos. E era o grande favorito. Por ter o melhor elenco, por ter um time entrosado, por ter um técnico competente, enfim, por todas as circunstâncias que todos sabemos em termos de infra-estrutura etc. Mas, em futebol, como na vida, nada se ganha na véspera.

Dos outros dois grandes da capital, Corinthians e Palmeiras, decepção mesmo ficou com o primeiro. Não há dúvida de que no Parque São Jorge existe um elenco de primeira, capaz de grandes conquistas. Mas, a encrenca do Corinthians está nos fatores extra-campo: falta planejamento, falta continuidade de trabalho, falta uma diretoria que saiba o que está fazendo. Falta, enfim, profissionalismo: os parceiros nada entendem de futebol e a diretoria, como sempre, é amadora. Mal crônico desse grande clube.

Já o Palmeiras, até que se garantiu bem, com aquele elenco medíocre, muito distante de suas tradições. Só não foi pior porque tem um dos melhores técnicos de nosso futebol, apesar de toda a polêmica que provoca por onde quer que passe. Tirou leite de pedra e continua fazendo isso na Libertadores, o Leão. Vai enganando bem nuestros hermanos, mas quando a competição entrar na disputa entre os times brasileiros, aí sim, será chegada a hora da verdade para os palmeirenses.

A grande surpresa do campeonato, que eu chamei de coelho, no começo, por ter ficado várias rodadas em primeiro lugar, foi o Noroeste. Espera-se que não seja um fogo-fátuo, como tantos outros times do interior, que começam bem e depois se apagam. Enquanto a decepção, ou quase isso, ficou com o Paulista de Jundiaí: o campeão da Copa do Brasil não se sustentou nas pernas e foi muito mal.

Não há o que lamentar com relação aos que se foram para a segunda divisão. Caíram porque mereceram. Espero que aproveitem a lição e, quando retornarem, venham com um pouco mais de seriedade e profissionalismo.

Para encerrar: o Santos não é um grande time. Não ainda. Faltam-lhe peças chave para formar um elenco que possa, sim, dar grandes esperanças à sua torcida. Se conseguir reforços de qualidade, pode até mesmo sonhar com um mais um título brasileiro. Se não, será apenas um bom coadjuvante. Como, aliás, outros campeões, como o Botafogo e o Grêmio.

ISAIAS EDSON SIDNEY - 12:49 PM


Quinta-feira, Abril 06, 2006

 

SÃO PAULO E CHIVAS, PELAS LIBERTADORES: UMA BOLA QUE PRECISA SER CANTADA




Pois é: como santista, podia dizer que a vingança vem a cavalo. E trota rápido. Com os pés dos mexicanos do Chivas. Mas não vou entrar nessa de schadenfreud, não, que ainda é muito cedo para comemorar qualquer coisa.

Vamos por partes: o Chivas jogou como gente grande. Como o Santos devia ter jogado no domingo, para ser campeão, sem precisar ir à bacia das almas, agora, e ganhar do desespero da Lusa, no domingo próximo. O Chivas jogou como gente grande, como o futebol mexicano tem jogado e, às vezes, parece que nossos comentaristas não percebem.

Nenhum país patrocina duas copas do mundo impunemente. Ou seja: Copa do Mundo, por mais comercial que seja o evento, proporciona ao país que a sedia a oportunidade única de incrementar o seu futebol. Até os Estados Unidos tiveram sua quota de desenvolvimento, embora, lá, as coisas são tão estranhas, que foi o futebol (soccer, lá linguagem deles) feminino que teve um avanço considerável (mas o masculino também está indo...).

O México foi a sede de dois mundiais: isso não é pouca coisa. E parece que aprendeu. O seu futebol ingênuo ficou, há muito, para trás. De grandes admiradores de nossos craques, passaram a incomodar tanto a Seleção quanto os demais times que jogam com eles. Não tem mais moleza: jogam, sim, como gente grande. Calaram, com garra, determinação e técnica, a torcida tricolor, em pleno Morumbi, num dia em que o São Paulo perdeu o rumo diante da marcação perfeita dos mexicanos. Como o Santos, que não nem melhor nem pior do que o Chivas, devia ter feito (mas não adianta chorar o leite derramado).

Nossos comentaristas dizem que o São Paulo jogou mal, mas se esquecem de observar que o Chivas não veio para empatar ou perder: se ficou, aparentemente acuado, em muitos momentos do jogo, isso significava muito mais um certo respeito pelo São Paulo, mas um respeito de quem sabe o que está fazendo e espera o momento certo para incomodar, para beliscar, para fazer os gols necessários. E foi o que aconteceu: diante de um time que se desesperou por não conseguir romper a defesa mexicana e de um técnico que, a despeito de toda a competência, também se desesperou e colocou em campo quatro atacantes, até que os dois a um foram pouco, e a derrota podia ter sido mais humilhante.

Enfim, fica a lição para todos: os mexicanos não são mais os coadjuvantes que sempre foram. Aprenderam a lição das copas que sediaram e estão jogando, sim, como gente grande. Tanto, que é a seleção que mais se dedicará à preparação para a Copa do Mundo na Alemanha. Como jogo não se ganha na véspera, só nos resta ver, para crer, o que vão aprontar lá nas europas nuestros hermanos de sombreiro.

ISAIAS EDSON SIDNEY - 1:29 PM

 

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