UMA OLHADA POR AÍ, COM UM POUCO DE VENENO
ANTÔNIO LOPES e o Corinthians: uma relação complicada. Não acho que o velho treinador seja lá uma Brastemp, mas o timão também não é. Começou bem. Montou um grande time. Um grande time com uma defesa medíocre. Que o Lopes consertou e conseguiu ser campeão. Mas, agora o Coringão parece assim meio que maionese desandada. Quando tem tudo para ganhar, perde. Quando parece que vai perder, ganha. Só ver os dois últimos jogos: ia ganhar do Santos e ia perder do Deportivo Cali... E o Lopes? Na corda bamba: cai não cai, sai não sai. A imprensa já o defenestrou, a diretoria do clube já chutou seu rabo, mas o Kia, que tem a chave do cofre, está prestigiando o Tonhão, como prestigiou o Passarella, lembram?
LIBERTADORES: tem time brasileiro demais, dessa vez. Quem sabe, com isso, começamos a levar mais a sério esse torneio. Porque parece que, aqui, todo time sonha em ganhar a Libertadores, mas na hora h, ninguém se prepara direito (até os calendários malucos dos cartolas atrapalham) e a história desse torneio tem sido uma história de vexames (com poucas exceções, que todos conhecem) para times brasileiros. Libertadores se ganha com raça, malícia, tática e técnica. E às vezes com um juizinho sem vergonha no bolso do paletó (dos cartolas, é claro). Mas sejamos justos: já não se fazem sacanagens como antigamente, na Libertadores. Com as transmissões de televisão, os golpes sujos dos timinhos de todos os demais países hermanos já não são assim tão evidentes. Há, é claro, a questão dos árbitros, mas aí já é implicância minha: na maioria, quase absoluta, são honestos. Pena que tão ruinzinhos!
SANTOS FRANKENSTEIN: Renovação completa, às vezes, é necessária. Mas corre o risco de não dar certo. E precisa, principalmente, ter muita paciência. A sorte do Santos foi a contratação do Luxemburgo, um técnico que sabe o que faz. A posição de vice-líder (acho que seria o líder, se o juiz tivesse visto o gol que o goleiro do Corinthians tirou lá de dentro) é ilusória. O time ainda vai oscilar muito. Até achar um padrão de jogo. E a torcida ainda vai ter muitos momentos de susto. Alegria, mesmo, acredito que só daqui a uns dois ou três meses.
NOROESTE COELHO? Coelho é, como todos sabem, aquele corredor que sai como um louco nas corridas de fundo, tentando puxar o ritmo, e desiste na metade. O Noroeste talvez seja o colho desse Campeonato Paulista esquisito: pontos corridos (o que é bom), mas de turno único (o que é péssimo, uma bobagem mesmo). Invenção da cartolagem, um risco para as pretensões de muitos times. Porque, com turno único, não há possibilidade de recuperação. Disso pode se aproveitar um azarão, como o Noroeste, se a condição de líder não subir à cabeça dos jogadores, assustando-os (pela responsabilidade) ou levando-os a se encherem de empáfia. E salto-alto em futebol todo mundo sabe como acaba.
FAVORITO AO TÍTULO: São Paulo, sem dúvida. Por manter um padrão de jogo, mesmo com todas as substituições. Por ter um técnico competente. Por contratar bons jogadores na hora certa. Sem grandes loucuras. Um time racional. Que tem unido, em campo, a técnica, a tática e a raça. Não é o melhor time do mundo (como pensam seus torcedores), mas é uma força nada desprezível no atual contexto do futebol paulista e brasileiro.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 1:05 PM