FUTEBOL É VIDA

 
             

   
 
 

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

 
LAMBANÇA COM LAMBANÇA SE COMPLICA



Está certo: foi uma grande lambança. Árbitros (não me acostumo a chamá-los assim; para mim continuam sendo juízes) influenciando o resultado de jogos... Quando é que eles não fizeram isso? A novidade, se é que é novidade, foi o fato de estarem a serviço de jogatina da grossa. Mas que eles, os homens de preto (e agora de todas as cores) sempre intervieram com seus erros e burradas no resultado dos jogos, disso ninguém duvida. Nem é preciso dar exemplo, que cada lembra de um fato, de um gol com a mão, da marcação de impedimento que só estava na cabeça deles, de um pênalti que ninguém viu ou só eles não viram...

Enfim, acho que novidade, mesmo, é alguém ter aberto o bico... E não me lembro de nenhum jogo anulado por erro do juiz. Na Alemanha, aconteceu a mesma coisa. Anularam algum jogo? Que nada. Indenizaram os prejudicados e seguiram em frente. Agora, aqui no Brasil, que negócio é esse de anular ONZE jogos do Campeonato Nacional e fazer que os times os joguem de novo?

Até concordaria com isso, se o jogo:

fosse apitado pelo mesmo trio de árbitro e assistentes (agora sem o compromisso de fazer o resultado, claro)!!!

tivesse como público as mesmas pessoas e como representantes e demais autoridades, também as mesmas pessoas!!!

fosse jogado no mesmo estádio, no mesmo horário, com as mesmas condições meteorológicas!!!

fosse jogado exatamente pelos mesmos jogadores, com o mesmo banco de reservas e os mesmos técnicos, preparadores físicos, médicos etc. !!!


Enfim, o jogo repetido deveria ser jogado nas mesmas condições que o jogo anulado. Aí, sim, seria justo.

Como isso, é claro, não é possível, que sandice é essa de anular todas essas partidas e obrigar a que os times entrem em campo de novo, em situação completamente diferente, para jogar o mesmo jogo? Isso é fazer lambança para cobrir lambança!!!

Solução? Indenizem-se os times, mantenham-se os pontos e tudo o mais e siga o bonde... Ah! E bote os tais homens de preto que fizeram a lambança e seus cupinchas na cadeia e joguem a chave no fundo do rio!!! OK?

O público? Ora, o publico... que vá chorar na cama, que é lugar quente. Não foi sempre assim com o torcedor?

ISAIAS EDSON SIDNEY - 4:17 PM


Sábado, Setembro 24, 2005

 

E ENTÃO, NÃO ERA SÓ ERRO...




A última frase do artigo anterior acabou soando profética sem querer. A aceitar como verdadeiras as reportagens de revistas e jornais do fim de semana, pode-se dizer que os senhores árbitros não erravam, apenas, mas roubavam...

A sensação de um travo amargo na boca, por resultados forjados no apito, permeia a sensação de um roubo mais grave do que as apostas milionárias de um bando de degenerados: o roubo das ilusões de todas as torcidas.

De agora em diante, como creditar a simples erro de interpretação do árbitro aquele pênalti não marcado ou aquele impedimento escandaloso que o assistente não viu? O ódio das torcidas contra os senhores árbitros pode atingir temperaturas difíceis de controlar. E a violência nos estádios pode explodir de forma incontrolável. Esse o prejuízo maior da venialidade de homens que se vendem por um punhado de reais. Mais do que o prejuízo dos clubes, a violência pode causar mais vítimas e afastar ainda mais o público dos estádios. Esse o meu medo. Medo que eu torço para que não se realize

ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:04 PM


Segunda-feira, Setembro 12, 2005

 
ÁRBITROS: LÁ COMO CÁ, MUITAS LAMBANÇAS



O jornal anuncia: transmissão do jogo do Real Madrid contra o Celta. Bem, jogo do Robinho. Ligo a tevê e me preparo para mais um show do nosso craque-xodó do momento. Além, é claro, de Ronaldo, Roberto Carlos, Júlio Batista e todo o elenco milionário do Real, comandado pelo Luxemburgo. Isso, num rompante de patriotada. Tudo bem.

Começa o jogo. O Real parece meio embolado e o destaque, no começo, fica com o Celta e o Fernando Baiano, outro brasileiro, ainda bem, penso eu. E o Celta se aproveita de uma falha da defesa do Real, que é muito ruim, ou muito desprotegida, sei lá, e marca primeiro. Mas, lá na frente tem o Robinho, que pedala, dribla, desloca, passa e faz o diabo. Só que o ataque o Real tem muita firula e pouco empenho em chutar a gol. Até que no final do jogo, o empate. Natural. E o domínio dos galáticos é total, diante de um adversário brioso, mas que só se defende. Mas o jogo é agradável de se ver, com jogadas bonitas, contra-ataques perigosos, lances interessantes, com os jogadores tentando, meio na confusão tática do Real, cumprir sua lição e fazer o seu show.

Então, de repente, o show muda de mãos. Um novo ator toma a cena principal e muda tudo. Estarrecido, e não encontro outra palavra mais forte para o fato, vejo o senhor árbitro mudar o rumo da história.

Primeiro, valida um gol que não houve. A bola bateu no travessão do Real e caiu em cima da linha, não entrou. Mas o senhor assistente assinalou, depois de uma indecisão total da arbitragem. Tudo bem, árbitros erram.

Em segundo lugar, de repente, sem quê nem porquê, um pênalti contra o Real. Replay. Parece que o zagueiro tocou a mão na bola. Replay. Pode ser que o zagueiro tenha tocado a mão na bola. Replay. Não, acho que o zagueiro não tocou a mão na bola. Replay. Só o árbitro viu o zagueiro tocar a mão na bola. Será compensação, pelo pênalti que ele marcara contra o Celta, numa jogada do Júlio Batista? Bem, árbitros erram. Com invasão e tudo, o pênalti é cobrado e convertido...

E aí, parece que tudo se desmorona. Árbitros erram, sim, Mas se permanecem errando sempre contra um só time, aí a coisa começa a complicar. Ou é burrice, ou é má vontade ou... Ah! Bons tempos da mala preta, da famosa mala preta. Agora, só político brasileiro é que ainda as utiliza... Hoje tem Internet, transferência eletrônica... O terceiro erro: numa jogada rápida dos galáticos, Ronaldo, impedido, não toca na bola e Robinho, como um raio vem de trás, de muito atrás da linha de zagueiros, toma a bola e marca um belo gol. Belo pela jogada, pela inteligência dos jogadores... Mas a burrice do árbitro anula. E o Real perde o jogo.

Não lamento pelo Real, não. Afinal, nenhum time, por mais galático que seja, é invencível. E, além disso, é só o começo do campeonato. Se os pontos fizerem falta, azar do Real. O que eu lamento é pelo futebol. Pela beleza do futebol. Que árbitros mal preparados, burros ou mal intencionados insistem em prejudicar.

Que doença é essa, que ninguém consegue resolver? Não nos queixamos de erros normais numa arbitragem, mas fica-se escandalizado quando há um acúmulo de decisões equivocadas, de marcações impossíveis, de total descaso para com a violência. E esse é um assunto para outra crônica: a permissividade, a passividade de alguns árbitros diante de jogadas violentas. Não, não é possível que um espetáculo seja estragado por um trio cuja função é cuidar para a lisura da partida, pela beleza de um jogo que se tornou universal justamente por apresentar características inusitadas de uma mistura de raça, força, inteligência e arte. Que eles, os senhores árbitros, insistem em prejudicar.

Ou as autoridades esportivas tomem medidas drásticas, ou o futebol tenderá a perder muito do que conquistou até agora. O duelo de um time mais fraco contra o mais forte pode, muitas vezes, terminar com a vitória do mais fraco. Isso é do jogo. O que o torna ainda mais emocionante e tenso. Mas, sem ajuda dos árbitros, cuja função não é determinar o destino das partidas!

ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:17 PM


Sexta-feira, Setembro 09, 2005

 
CHORA, CARLITOS, CHORA!




Carlitos Tevez, o astro argentino do ex-quase-galático Corinthians botou a boca no trombone para reclamar de preconceito. Dos árbitros brasileiros. E ameaça, até, abandonar o timão! Puxa, Carlitos, a coisa deve ter sido mesmo feia...

Mas, falando sério: há muito tenho observado o comportamento dos senhores árbitros. Não me conformo, de modo algum, com as besteiras que fazem. Tudo bem: apitar é difícil, exige decisões rápidas, os jogadores não colaboram, a imprensa cai em cima, a televisão amplia os erros... Nada disso, porém, justifica tanta bobagem que se vê em campo.

Errar é humano e os árbitros erram! Errar demasiadamente é burrice, no entanto. E é o que fazem esses chefões do apito dentro de sua arrogância. Porque são muito arrogantes, sim, esses homens espevitados que se benzem em gestos patéticos antes do início do jogo, como se dissessem à torcida que estão com um deus que não se preocupa nem um pouquinho com as besteiras que eles vão fazer em seguida. Porque são muito mal preparados, sim, esses homens do apito, com seus gestos muitas vezes exagerados, com seus sorrisinhos de desdém no canto da boca.

Árbitro que se preza tem de ser discreto. Árbitro que se preza não tem essa de estar a conversar com jogador. Tem de se fazer respeitar. E a melhor maneira de se fazer respeitar é respeitando. Não tem essa de ficar de papo, de xingar quem quer que seja. De ofender o outro porque é argentino ou preto. Que negócio é esse? Já não bastam os seus erros no apito e vamos ter de tolerar mais isso? Se querem honrar a profissão que escolheram, que não nego seja difícil, complicada, que mudem de atitude. E já!

Erros, ainda se toleram... mas preconceito e xingamentos, façam-me o favor, senhores árbitros!!!

Carlitos Tevez tem razão, e muita, de reclamar. Juntem-se provas e testemunhos e botem esses árbitros preconceituosos na cadeia!!!

Só tem uma coisa no chororô do Carlitos: que é isso, companheiro? Preconceito contra as mulheres que apitam ou são assistentes? Assim, não dá. Não se combatem preconceitos e injustiças com outros preconceitos! Cabeça, Carlitos, cabeça!

ISAIAS EDSON SIDNEY - 12:59 PM


Quarta-feira, Setembro 07, 2005

 

TRECOS E TRIQUES DO FUTEBOL



Há coisas no futebol que ninguém explica. São regras acima das regras, leis criadas pela imaginação de algum comentarista que ficam como imutáveis e, o que é pior ou melhor, não sei, comprovadas pelos fatos, ou aparentemente comprovadas. Como não há estatísticas, fica-se com a impressão de que são verdades incontestáveis. Chamo-as de trecos e triques do futebol.

Por exemplo: quem não faz (gol) toma. Um time começa o jogo em cima, como se diz, no abafa, criando inúmeras situações de possíveis gols. Durante quinze minutos aluga o campo do adversário, que só se defende. Se não marcar, nesses quinze minutos, pode esquecer: vai perder o jogo ou, quando muito, empatar. Como não há estatísticas sobre isso, fica-se com a impressão de que é uma lei do futebol. Que os fatos só fazem corroborar. Foi o que eu vi, hoje, 7 de setembro de 2005, ocorrer no jogo RÚSSIA e PORTUGAL, pelas eliminatórias da Copa. Foram quinze ou vinte minutos de sufoco para os lusos comandados por Filipão. Nada. Depois, o resto do tempo, domínio português, inútil, diga-se de passagem, já que a Seleção Portuguesa conta só com o Pauleta (que é bem ruinzinho!) para fazer gol. Um zero a zero que, se não confirma que quem não faz toma, pelo menos não o desmente...

Outro exemplo: depois da vitória numa decisão, o time relaxa e perde em seguida. Veja o São Paulo, campeão da Libertadores. Só que o São Paulo exagerou: perdeu muitas, em seguida e acabou na zona de rebaixamento do Brasileirão. Já a Seleção do Parreira deu show em cima do Chile: 5 belos gols no sábado e, dois dias depois, ontem, na Espanha, contra o timinho do Sevilha, ficou no empate por um a um, quase uma derrota. Até se explica: depois da classificação para a Copa de 2006 e uma viagem desgastante até a Europa, não se podia exigir muito mesmo. Até que essa é uma lei que tem lá sua lógica...

Mas há um fenômeno que eu gostaria de contar com estatísticas para comprová-lo. Erros na cobrança de pênaltis por jogadores canhotos. Não sei, mas tenho a impressão de que os canhotos erram muito mais. Observo isso, principalmente, quando ocorre decisão por tiros livres a partir da marca do pênalti, como é o nome oficial da cobrança da coisa. Às vezes, até craques que têm estilo e força na perna esquerda conseguem errar de forma bisonha, nesses momentos. O mais recente: Felipe, do Fluminense, contra o Santos, na semana passada: bateu o pênalti na trave (o juiz mandou voltar e, aí, ele acertou). Um dia ainda vai haver algum estudioso desocupado para tratar disso, tenho certeza. E, se isso não acontecer, aí fica mais uma lei não comprovada, mas de fácil observação: jogadores canhotos erram, proporcionalmente, mais pênaltis do que os destros.

ISAIAS EDSON SIDNEY - 4:14 PM


Segunda-feira, Setembro 05, 2005

 
UM DOS MAIS BELOS GOLS DA SELEÇÃO




Quem já não viu, tantas vezes reprisado, o gol de Pelé, aos dezessete anos, na final da Copa da Suécia, um gol de pura molecagem, um chapéu no zagueiro e a finalização precisa para o gol dos donos da casa? Ou, na Copa de 70, o último gol do Brasil contra a Itália: um passe no vazio, de Pelé, e o capitão Carlos Alberto surgindo de repente, do nada, para estufar as redes? E há gols maravilhosos de todos os craques, em todos os tempos: de cabeça, de bicicleta, de voleio, de falta... Com certeza, será impossível escolher o mais bonito, o mais emocionante, o verdadeiro gol de ouro. Aliás, gol de ouro seria mais apropriado para nomear essas jogadas sensacionais que levam ao delírio o torcedor, quando a bola ultrapassa a linha do gol, e não o gol obtido para encerrar prorrogações angustiosas e angustiantes. Gol de ouro: aquele que merece uma placa no estádio, para se eternizar.

Na maioria das vezes, o gol de ouro é resultado do talento de um único jogador: ou daquele que constrói a jogada ou daquele que conclui. No entanto, há gols que merecem o nome de gol de ouro pela construção coletiva. Foi o que aconteceu com o gol da Seleção Brasileira contra o Chile, ontem, em Brasília, pelas eliminatórias.

Recordemo-lo: um drible desconcertante de Juan no adversário, rente à linha de fundo da defesa brasileira. O chute para frente, na verdade um lançamento preciso para os pés de Robinho, no círculo central. O raciocínio rápido e novo lançamento para Adriano, que avançava pela direita. O passe preciso e o drible seco no zagueiro. Adriano chega quase à linha de fundo e cruza para Kaká, no segundo pau. A curva precisa até a chapa do pé do atacante, que amortece a bola para Ronaldo, na pequena área, à frente do goleiro. E Ronaldo toca de leve para trás, com sutileza e precisão, para a bomba de Robinho, que estufa as redes dos atônitos defensores chilenos. O quarteto mágico corre para o abraço. Merecido. Todos contribuíram para o gol. Um dos mais belos da Seleção em todos os tempos. Pela objetividade, pela inteligência, pela sutileza e pelo espírito de solidariedade. Quando Robinho recebeu a bola no meio de campo, os três, Ronaldo, Kaká e Adriano já se posicionaram à frente como se o desenho do gol estivesse em suas mentes. E Robinho, após lançar Adriano, continuou participando da jogada até a sua conclusão. Não há dúvida de que um momento desses enche os olhos do torcedor. O gol de ouro de um quadrado mágico, que joga com arte, objetividade e alegria. E faz a verdadeira glória do futebol.

ISAIAS EDSON SIDNEY - 11:54 AM

 

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