POR QUE TANTOS GOLS NO BRASILEIRO?
Parece que as malditas retrancas no futebol vão sendo, pouco a pouco, superadas. A armação de defesas com três e até quatro zagueiros não tem sido suficiente para deter a chuva de gols das últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Isso, com certeza, pode redimir o futebol e trazer de volta aos estádios a torcida desconfiada pela perda de ídolos, pelo desmonte de times inteiros na metade do campeonato. Mas, qual o motivo para tantos gols? Não há uma única razão, mas várias, para isso. Podemos arrolar algumas delas, todas muito positivas:
¿ a punição de jogadas violentas com cartão vermelho: os árbitros estão sendo incentivados a não permitir a violência e, nesse sentido, a abolição do famoso carrinho foi um passo importante. A idéia absurda de que futebol é coisa de macho tem sido superado pelo bom senso. Basta olhar para o passado e teremos exemplos de muitos craque que abandonaram cedo os gramados, vítima da sanha assassina de beques violentos, sob a complacência de árbitros obtusos. Cito apenas um: Reinaldo, da Atlético de Minas, parando de jogar aos 28 anos, depois de várias operações no joelho. Não se pode negar que o futebol é um esporte de contato físico, de jogadas fortes, mas não se deve, absolutamente, compactuar com a violência. Nesse caso, a sistemática punição dos abusos tem contribuído para que prevaleça a arte e a habilidade dos atacantes;
¿ a distribuição de pontos por vitória, três, e empate apenas um: isso fez com que os times voltassem a jogar para ganhar, pois o empate traz muito poucas vantagens. Os três pontos motivam os jogadores, pois alvancam a subida do time vitorioso, às vezes, em várias posições na tabela. Foi uma boa resolução que, pouco a pouco, trouxe de volta esquemas ofensivos em detrimento das famosos ferrolhos. Times como o Once Caldas terão, em campeonatos de três pontos por vitória, cada vez menos possibilidade de sucesso;
¿ campeonatos por pontos corridos: também uma boa medida administrativa. A posição na tabela, que sempre vale para a participação em outras competições, a luta pelo não rebaixamento, o sobe e desce constante de times, tudo isso contribui para que a vitórias sejam premiadas e tem tornado os campeonatos mais excitantes. A motivação permanece, porque sempre se disputa alguma coisa, mesmo os times que têm pouca pretensão de chegar ao título. Assim, não há partida que não seja importante e isso valoriza a busca pela vitória e o gol;
¿ número de vitórias como primeiro critério de desempate: valoriza a vitória e a busca pelo gol;
¿ a bola: embora não seja fundamental, mas a aplicação de alta tecnologia na fabricação das bolas, tornando-as mais leves, mais rápidas, tem atormentado os goleiros e favorecido o jogador que chuta bem e isso tem levado a muitos gols;
¿ preparo melhor dos atacantes, em detrimento dos jogadores da defesa: esse, talvez, o aspecto mais polêmico. Tenho observado que o surgimento de jogadores criativos e hábeis, que jogam para frente, que driblam, tem levado a que os preparadores físicos se dediquem mais a esses jovens cada vez mais cedo, condicionando-os melhor para o futebol, porque são esses os craques que se valorizam e dão retorno aos clubes, seja através de títulos, seja através da venda de seus passes. E os jogadores de defesa, como não proporcionam o mesmo retorno, parece que não têm recebido a mesma atenção ou o mesmo cuidado.
Enfim, seja por que motivo for, a volta do futebol arte, do futebol que enche os olhos da torcida, passa, necessariamente, pela busca da vitória, por jogos que tenham a emoção de viradas e nos quais a rede se encha de muitos gols.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 12:21 PM
Segunda-feira, Agosto 15, 2005
SEGUNDO TURNO DO CAMPEONATO NACIONAL VEM AÍ: QUEM VAI TER DE TRABALHAR DOBRADO PARA COMPENSAR O PREJUÍZO?
O primeiro turno do Campeonato Nacional está acabando. E acabando tarde, para muitas equipes. Que não produziram nada e estão em condições totalmente desconfortáveis. Dos times grandes, de tradição, destacam-se negativamente:
ATLÉTICO MINEIRO: sem dúvida o campeão das trapalhadas. Com treze pontos e derrotas sucessivas, o Galo virou pinto e nem piar consegue. Torcedores enraivecidos, diretoria sem rumo, jogadores pagando o pato quando deviam pagar o galo, técnicos que se sucedem sem achar quê nem por quê de tanta ruindade. Será o Galo consegue superar a crise e escapar, pelo menos, do rebaixamento? E atenção cruzeirenses: não vale tripudiar, afinal rivalidade tem limites e nunca se sabe o dia de amanhã!
SÃO PAULO E ATLÉTICO PARANÁ: os dois finalistas da Libertadores parece que estão com a maldição de Montezuma!!! Campeão e vice são humilhados e estão sofrendo mais do que sovaco de aleijado. E com times bem montados, bem dirigidos e clubes bem estruturados. É claro que são times que têm toda a perspectiva de reagir e chegar a boas posições, mas o mistério continua: será praga de los hermanos???
VASCO E FLAMENGO: Até que ameaçaram uma reaçãozinha no final, mas está difícil. Não creio que sejam rebaixados, mas ainda vão ter que jogar o que têm e o que não têm para que isso não aconteça. Corda bamba para os dois cariocas é refresco!
A sorte dos times acima é que a tabela está apertada. A diferença entre os primeiros colocados e os últimos evita que a situação seja desesperadora, mas se não puserem em campo pelo menos o peso da camisa, a coisa pode engrossar para todos eles. São times de tradição e devem zelar por sua história. É claro que não estou falando apenas dos jogadores e técnicos, mas principalmente das diretorias, que devem adotar posturas mais profissionais e trabalhar para dar condições a que esses times não passem por situação tão vexatória.
O NOME DA RODADA:
Não, não é Tévez. O argentino continua o mesmo: um grande jogador, capaz de desequilibrar qualquer partida. Desfilou pela Ponte, com ares de craque.
Mas o nome da rodada é o juiz de Botafogo e Vasco: HEBER ROBERTO LOPES. É bom guardar o nome da fera. Vai ser ruim assim na casa do capeta! Distribuiu QUINZE cartões amarelos, DOIS vermelhos e não viu o pênalti claro do zagueiro botafoguense Emerson no atacante santista Diego, além de inventar um outro contra o Santos, que o goleiro defendeu e ele mandou voltar, sem ninguém entender por quê. Acho que mandaria cobrar de novo até que a bola entrasse, porque além de cego, burro e burocrata, esse tal de Heber estava mesmo é muito mal intencionado... É a sina do Santos: ser roubado em jogos contra o Botafogo. Está virando mania...
ISAIAS EDSON SIDNEY - 5:03 PM
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
HOJE É QUARTA-FEIRA, DIA DE... FUTEBOL!
E escrever uma crônica poucas horas antes do início de uma rodada é pôr a língua em chapa quente. Mas, vamos lá... Porque, na verdade, não vou falar muito do que pode acontecer nessa rodada de meio de semana do ainda meio que combalido Campeonato Nacional, sem estrelas e sem grandes times...
Vou falar de uma ausência. Carlitos Tévez, o argentino do coringón. Expulso no último jogo, pode ainda pegar uma punição brava, por ter xingado a mãe do juiz. No código disciplinar desportivo, é crime. Mais grave que quebrar a perna do adversário num carrinho criminoso.
Há alguns poucos anos, quando vi pela primeira vez, num jogo do Boca, aquele baixinho feio e desabusado, encantei-me com seu jeito raçudo de jogar, um pouco como jogam os argentinos, sim, mas com algo mais: técnica. Era ainda um jovem, e vi no moleque atrevido uma futura ameaça. Afinal, todo argentino bom de bola é ameaça, não é?
Quando o Corinthians, por artes do dinheiro de uma empresa estrangeira e altamente suspeita, comprou o Tévez, fiquei de pé atrás: tinha o moleque feioso o jeitão do timão, com perdão da rima. E podia tanto dar muito certo com a torcida quanto tornar-se mais um mal entendido. Mas apostava mais na primeira hipótese. E não é que o tal do Tévez se transformou na alma do time?! A torcida corinthiana, tantas vezes iludida com falsos craques, não podia ter tido melhor presente. Está bem, Carlitos não é um craque, na acepção da palavra, mas joga um bolão e, principalmente, não tem medo de cara feia, nem de levar porrada de beques desastrados. E isso é o que conta para a torcida: luta, raça, mesmo que nem sempre os demais jogadores correspondam e o timão passe por um outro vexame. Mas isso é coisa do futebol.
Agora, Tévez vai ficar por alguns jogos ausente, logo quando o time precisa se firmar e dizer a que veio, mantendo a liderança. Fica a pergunta: será que o timão conseguirá manter o alto índice de conquista de pontos que vem mantendo até agora, sem o Carlitos?
ISAIAS EDSON SIDNEY - 5:11 PM
Segunda-feira, Agosto 01, 2005
QUEM TEM MEDO DO ROBINHO?
No futebol, costuma-se chamar de clássico o confronto que envolve tradição e rivalidade. Muitas vezes, resulta em jogo amarrado, de nervos à flor da pele, e empates sem graça. Noutras, o brilho e a graça de craques tornam o espetáculo digno de figurar entre os grandes momentos de emoção de uma vida. Há clássicos que só têm tradição e rivalidade e há clássicos realmente dignos do nome.
Santos e Corinthians sempre fazem espetáculo denso. Nem sempre digno. E o de ontem, ainda no terço inicial de um longo Campeonato Nacional, com um Corinthians em ascensão e um Santos que parecia iniciar um longo trajeto ladeira abaixo, depois do desmonte quase total de sua equipe, parecia fadado a ser um daqueles espetáculos lamentáveis em que um ataca e o outro só se defende. Parecia. Até a notícia de que Robinho, depois de um mês de lengalenga na novela da transferência para a Europa, iria jogar.
Uma andorinha só não faz verão, diz o velho ditado. Mas, Robinho é Robinho, o craque absoluto desses tempos magros de talento. Mesmo assim, num time que conta apenas com alguns lampejos de Ricardinho e com a inteligência de Giovani, parecia ser muito pouco. Afinal, o Corinthians foi o time que mais contratou, que tem sido até mesmo chamado de galático, num exagero de comentaristas esportivos sempre prontos a adotar qualquer slogan de momento. Um time com cinco vitórias seguidas. Parecia o favorito. Mas, Robinho estava escalado e o clássico ganhava algum sabor especial. Talvez uma ou outra pedalada, talvez um gol, talvez...
No entanto, a tarde de inverno quente prometia surpresas na Vila Belmiro. Barbas de molho do técnico corintiano ao escalar três zagueiros, desprezo da torcida santista ao seu ex-ídolo, presença de Pelé na arquibancada, enfim, o palco propício para mais um clássico sem grandes emoções.
Três zagueiros, eu disse acima? Sim, três, mas não zagueiros, patetas! Três patetas preocupados com Robinho. Uma defesa que já não é lá grande coisa, a segunda mais vazada do campeonato, jogando com três cabeças de bagre preocupados com as possíveis pedaladas do Robinho, só podia mesmo entregar o ouro. E não fizeram outra coisa. Robinho nem precisou jogar, bastou estar em campo, tímido, sem ritmo, a estrela com brilho apenas o suficiente para iluminar o craque do jogo, aquele que realmente desequilibrou a partida: Giovani. E o veterano astro mostrou que quem já foi rei não perde a majestade nem se contenta com papéis secundários, quer mesmo é ser o protagonista. Fez de bobos os três zagueiros corintianos e transformou uma tarde quente de inverno em sonho de verão. Porque assim são os craques e assim são os clássicos: imprevisíveis. Ainda bem.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 10:26 AM