A SUPER-SEMANA DE BRASIL X ARGENTINA
Claro, podemos cantar de galo: o resultado final foi duas vitórias brasileiras e uma vitória argentina. Lamento que a seleçãozinha sub-20 tenha entregado o jogo. Os argentinos podem até ser campeões, mas não têm um time à altura de suas melhores tradições. Foi o Brasil que jogou muito mal. Quanto ao São Paulo, em Buenos Aires, não há o que contestar: o River jogou, e mal, no desespero. Se o time paulistano tivesse tido um pouquinho mais de calma, poderia ter goleado. Mas, goleadas entre Brasil e Argentina são fato raro. Dito isso, vamos à crônica dos quatro a um.
BRASIL: 4. ARGENTINA: 1. QUEM PODERIA IMAGINAR?
Há uma mística histórica envolvendo as seleções de Brasil e Argentina. Desde os números de vitórias absolutamente iguais entre ambas. Quando entram em campo as camisas amarelas e as azuis de listras, o mundo da bola enta numa espécie de hiper-espaço onde a lógica parece suspender suas leis, onde a objetividade cede lugar à subjetividade, onde o cérebro pára e o coração dispara.
Nessa zona nebulosa de emoções, tudo pode acontecer. E, geralmente, tudo acontece. Somos hermanos, sem dúvida, brasileiros e argentinos, argentinos e brasileiros. Em qualquer outra coisa, menos no futebol. Entre as quatro linhas, há o inimigo feroz, sempre, visto com olhos injetados e boca espumando. Ninguém fica indiferente ante o drible ousado ou o gol impossível. A magia instala-se como num filme de Spielberg ou como um drama histórico de Shakespeare. Ali, no gramado, entre heróis e vilões, o ser ou não ser reveste-se de momentos de encantamento ou ilusão, mas sempre dramáticos. Ou trágicos.
Quando assisti à partida da Argentina com o México, se fosse possível ver com olhos cerebrais o que poderia vir a acontecer no jogo contra o Brasil, eu diria que seria um jogo fácil, que os argentinos tinham mais raça e fôlego do que técnica e tática. Mas isso é impossível. Não se vê um jogo da seleção argentina com olhos cartesianos, mas sempre com a emoção de Goethe. Enquanto isso, o Brasil liquidava a frieza alemã com cortes cirúrgicos na musculatura dura dos germânicos, sem se abalar em nenhum momento com o pretenso racionalismo de um povo que inventou o romantismo. Portanto, a lógica diria que...
... analisando friamente os dois jogos anteriores, mesmo sabendo da instabilidade e do cansaço dos nossos jogadores, poderíamos ir para a frente da televisão com a certeza de que haveria um grande embate, mas, pela lógica, só poderia haver um vencedor: o Brasil.
O problema é que, primeiro, o futebol desafia todas as leis da lógica. Segundo, em se tratando de Brasil e Argentina, há algo muito além de qualquer racionalismo e de qualquer imaginação. Há uma única certeza: tudo pode acontecer.
Então, lá vamos nós. O juiz (que merecerá outra crônica, com certeza) apita o início e um sonho flutua no ar. Dois a zero no primeiro tempo. Sem comentários quanto aos lances da partida e à beleza dos gols. Começa o segundo tempo e o sonho parece materializar-se num terceiro gol que poderia liquidar qualquer adversário, mas não a Argentina. Engraçado como desejamos humilhá-los, mas tememos fazê-lo. Mesmo um quarto gol não sossega o coração aflito, porque eles também marcam. E quando fazem um único golzinho, viram o inimigo terrível de olhos injetados e coração no bico da chuteira. Podem virar o jogo, que está 4 a 1, a qualquer momento, mesmo que a razão diga que já estamos a poucos minutos do final e que isso é humanamente impossível. Mas o inimigo não é humano, é argentino, diz o coração batendo a mil.
Engraçado como os respeitamos. Engraçado como eles nos respeitam. Um respeito feito de raça e dor, feito de humildade de quem vence e arrogância de quem perde. Porque há sempre a sombra do próximo confronto. Uma sombra que perseguirá para sempre os grandes momentos de um esporte que parece ter sido criado por ingleses para que existisse a rivalidade entre Brasil e Argentina.
Hermanos, hermanos, futebol à parte, nós sempre somos os melhores. Pelo menos, até o próximo confronto. E que vivamos para ver, sempre ou de vez em quando, um dos maiores espetáculos da terra: um jogo Brasil e Argentina, em quaisquer campos do mundo, porque o mundo merece...
ISAIAS EDSON SIDNEY - 12:40 AM
Terça-feira, Junho 28, 2005
PRIMEIRO ROUND: ARGENTINA 2 X 1 BRASIL, NO MUNDIAL SUB-20
Nunca pensei, na minha vida, que um dia torceria pela Argentina, num jogo contra o Brasil. Mas foi o que aconteceu!
O segundo tempo dos meninos foi tão ruim, tão ruim, que, no gol de empate, pensei: que saco! Vamos ter que agüentar prorrogação! Felizmente, a Argentina desempatou já na prorrogação. Ainda bem. Poupou-nos e mais trinta minutos de futebol de péssimo nível. Porque, se o Brasil não conseguia jogar futebol, os meninos da Argentina também estavam jogando mal. Tipo jogo que ambos deviam perder. Mas, enfim, ganhou o menos pior. Se los hermanos pensam que ganharão o Mundial Sub-20, na Holanda, com aquele futebolzinho, não vejo muito futuro para eles, não...
MAIS ARGENTINA: AGORA, UMA BRONCA, POIS FUTEBOL É VIDA
Leio, estarrecido, no suplemento Esportes do Estadão de hoje, 28.6.05, uma terça-feira, véspera do jogo São Paulo e River Plate, a ser jogado lá, na terra deles, que a torcida Independente está pronta para brigar!!! Um tal de Mauro Lopes, chamado Quinho (que, segundo o jornal, já levou até tiro na perna), declara: PELO SÃO PAULO A GENTE MATA E MORRE!
Que que isso, minha gente!
Estão brincando com fogo e colocando em risco não só a vida idiota desse marginal que se diz diretor de torcida, que devia estar na cadeia, mas a vida de pessoas que podem não ter nada com isso e serem mortas por uma bala perdida, por uma pancada na cabeça... Até quando vamos tolerar uma coisa dessas? FUTEBOL É VIDA E NÃO ESSE TIPO DE BARBÁRIE!!!
Cadê o Ministério Público, que deve convocar esse indivíduo para esclarecer esse absurdo e, até mesmo, prendê-lo e processá-lo, depois que voltar de Buenos Arires... Se é ele vai conseguir voltar!!!
ISAIAS EDSON SIDNEY - 3:27 PM
Segunda-feira, Junho 27, 2005
NOTAS PRA LÁ DE MAL HUMORADAS
SELEÇÃO BRASILEIRA: O time de Mr. Parreira derrubou a muralha de papelão da Alemanha! E está na final da Copa das Confederações!! E vai jogar contra a Argentina!!! E mais: entra em campo como favorita!!!!
Chega de pontos e exclamação. Vamos ver se é possível colocar um pouco de racionalidade nessa encrenca.
Primeiro, a Seleção não desencantou. Jogou contra a Alemanha o que vem jogando até agora: defesa pífia, meio de campo sem criatividade e os quatro fantásticos lá na frente, com um futebol tremendamente irregular e inseguro. Alternam boas apresentações com bisonhices de fazer inveja a qualquer time de várzea. Depende, por isso, de que um deles, pelo menos, jogue bem. Contra a Grécia, foi Robinho. Contra o México, nenhum deles jogou. Contra a Alemanha, foi a vez do Adriano: arrebentou a defesa deles. Que tremeram! Sim, a poderosa Alemanha tremeu diante da camisa amarela, coisa que não costumam fazer os argentinos e, pelo jeito, também os mexicanos.
Segundo, o favoritismo para a final. Pelo futebol que a Argentina apresentou, ontem, contra o México, pode-se, sim, dizer que o Brasil é favorito. Mas isso é ilusório. Assim como nós, também eles alternam o melhor com o pior. O jogo é de risco para ambas as seleções. Na verdade, não há favoritismo. Ganhará quem estiver no melhor momento, o que parece óbvio como as substituições de Mr. Parreia.
Terceiro, não é possível colocar racionalidade no caso da atual Seleção Brasileira. Só resta torcer, sofrer e... comemorar ou chorar na cama, que é lugar quente, esperando que um dia, quem sabe, alguém tome a decisão de mandar Mr. Parreira para aquele lugar... para o bem do futebol brasileiro. Que pode ganhar quinhentos títulos com o Parreira, mas perderá a magia!
POR QUE NÃO GOSTO DO PARREIRA. Ah! a famosa história da memória curta do brasileiro. Ou seria a mania, meio que universal (e imbecil), de ficar só com os melhores momentos? Qual foi o melhor momento da Copa de 1994, nos Estados Unidos? Alguém se lembra? Pois, eu não esqueço e não esquecerei nunca: O MELHOR MOMENTO, PARA O BRASIL, NA COPA DOS EE.UU. FOI O CHUTÃO DO BAGGIO POR CIMA DO GOL DE TAFAREL! Esse erro estúpido mudou a história do futebol brasileiro: apagou uma das piores apresentações brasileiras em copas do mundo, apagou o sofrimento de cada vitória conseguida pelo oportunismo do Romário ou pelo esforço do Bebeto, apagou as apresentações pífias do Zinho enceradeira no meio de campo, apagou as bobagens da defesa e o heroísmo de um goleiro que tinha mais sorte e coragem do que técnica, enfim, apagou a mediocridade de um título que só veio por incompetência dos adversários. E tudo isso, graças a quem? A Mr. Parreira, com seus esquemas absurdos, com sua teimosia em não escalar, por exemplo, um Ronaldinho, com sua covardia tática, com seu jeito de encarar o futebol como se fosse jogo de xadrez, isto é, frio e lento (ia dizer chato, mas respeito os jogadores de xadrez, por sua inteligência, coisa que nosso treinador não tem). Enfim, em nome dos que acham que o pentacampeonato foi um embuste, é que não consigo engolir Mr. Parreira. Porque não quero passar de novo por tudo aquilo que passei em 94. Prefiro perder como perdemos duas vezes com Mestre Telê Santana, mas jogando futebol e não aquilo que o atual treinador tenta impor a jogadores do nível de Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Kaká.
LIBERTADORES: AINDA OS ARGENTINOS. O São Paulo tem um jogo de alto risco em Buenos Aires, simplesmente, por uma bobagem da polícia e dos barra-bravas argentinos no Morumbi. Aquela pancadaria só reforça o que temos afirmado aqui: é preciso manter fora dos estádios as torcidas violentas, sim, mas é também preciso que a polícia tenha mais preparo. O que vimos no Morumbi, quarta-feira passada foi muito, muito feio! Para a polícia e para os torcedores argentinos que, com certeza, estarão prontos para mais baixarias lá na terra deles... Porque cabeça de torcedor imbecil é igual em todo lugar.
SUB-VINTE: MAIS ARGENTINOS. A seleçãozinha não anda lá muito bem das pernas, no Mundial Sub-Vinte, mas enfrenta a Argentina amanhã pelas semi-finais. Eu acho que está havendo uma inflação de hermanos esta semana. Haja coração, ou melhor, haja saco!
ISAIAS EDSON SIDNEY - 1:58 PM
Terça-feira, Junho 21, 2005
FUTEBOL É VIDA...
21.6.2005
... mas a vida não é só futebol. Ficar puto da vida porque o time perdeu é normal. E deve durar o tempo de respirar fundo depois do apito final e da tal tragédia ter ocorrido e tocar a vida. Matar ou morrer por isso é mais do que estupidez: é barbárie. É coisa de monstros e imbecis totais, na falta de melhores adjetivos. Por isso, aqui, neste blog, fala-se de futebol, critica-se a tudo e a todos, mas leva-se a vida para a frente. Parreira não é a maior desgraça da vida, é só a maior desgraça para a Seleção. Ficar fora da Libertadores não é o fim do mundo, é só o fim de um sonho de mais grana para alguns jogadores, técnico e clube... Enfim, se até uva passa, derrota também passa... Só torcedor e torcida não passam... e não devem passar... Sobre isso, um texto de meu amigo LUIZ CLÁUDIO, recebido hoje, que publico com grande prazer:
Preocupante o senso comum. Mostra o quanto as mentalidades estão empobrecidas, o quanto as relações humanas estão deterioradas. Aprofundar questões, tanto no nível do pensamento quanto no do debate... perda de tempo!
Pode-se dizer que hoje o senso comum é não aprofundar nada, é tratar de maneira rasa e tosca. O outro não é diferente da latinha jogada pela janela, depois de usada. Via de regra, o ser humano se frustra / sacrifica no emprego, pois normalmente trabalha em algo que não lhe agrada. E isto porque, na verdade, não sabe muito bem o que busca, se é que busca. Enquanto isso, para amenizar, se entorpece no vício da superficialidade e da alienação...
Os sonhos são apenas sonhos de consumo, possíveis ou não. O ser perdeu, em definitivo, lugar para o ter. Ter um carro, uma casa, um cargo, uma mulher gostosa...
Logicamente, o time de (ortodoxa) fé deve ter todos os títulos que disputar. Senão, o bicho pega. No caso brasileiro, acrescentem-se a queda vertiginosa na qualidade do ensino, verificada durante a segunda metade do século passado, e o aumento da força insidiosa e deformadora dos veículos de comunicação. Hoje são eles (a TV!) que, basicamente, (des)informam e (des)educam o cidadão do senso comum. Este consome o que vem como quem come comida ruim (achando que é boa), jogando uma pimenta por cima e tomando uma talagada pra ajudar a descer. É a informação goela a baixo, onde se impõem os modismos de ser, todos muito rasteiros. Procura-se desesperadamente um pouco de senso crítico! Competir - e torcer - cada vez mais se identificam com o ato de conseguir na marra, exaurindo e perdendo o viço da conquista. Perdendo a seiva vital, o respeito. Ao adversário, à sua eventual superioridade. Vivemos uma época de extremismos. De um lado, torcedores fanáticos. De outro, anti-torcedores fanáticos. O bom senso que caracteriza a comunicação razoável - ouvir, permitir que o outro expresse sua idéia - não é observado. Há um monólogo inquietante, em meio ao crescente nível de ansiedade e desrespeito. O resultado é a explosão de violência que vemos, nos estádios - campo e torcidas - e fora deles. E, vista assim, esta realidade já não me parece restrita ao caso brasileiro, configura-se um caos mundial. Pessoas perdidas, que na verdade perderam o interesse de encontrar um caminho. Hooligans, skinheads, neonazistas, torcedores da Fiel, da Independente, da Mancha Verde... Só me vem agora algo parecido com a frase do saudoso Denner, que na verdade falou o que o inesquecível Mané fazia em campo: "Tem hora que vale mais um belo drible do que um gol." É pura utopia, mas como utopia é sonho e (ainda) se pode dizer que futebol é sonho...
ISAIAS EDSON SIDNEY - 12:47 PM
Segunda-feira, Junho 20, 2005
QUE JOGO?
20.6.2005
Placar moral: México, dois x Brasil, zero! E podia ter sido pior. É o que eu sempre disse e reafirmo: Mr. Parreira, às vezes, acerta a escalação do time. Mas, se erra e o time não vai bem, porque ele é sempre muito previsível e vive levando nó de técnicos um pouquinho mais espertos, Mr. Parreira não sabe mexer, não sabe trocar jogadores (ia dizer peças, mas essa é uma desprezível linguagem de técnicos e comentaristas metidos a besta!), não sabe reordenar o time em campo.
Mais do que dizer que Ronaldinho não jogou nada, que ninguém jogou nada, é preciso analisar o que fez Mr. Parreira. Os jogadores jogam bem ou não. Cabe ao técnico observar isso e fazer as alterações necessárias, táticas e técnicas. Mas, não: Mr. Parreira, com aquele ar de nobre inglês em fim de festa, continua fazendo sempre a mesma coisa, não muda nunca. Se, no jogo anterior, ele trocou seis por meia dúzia e funcionou, porque o time estava ganhando, ele troca de novo seis por meia dúzia quando o time está perdendo. E, é claro, o time continua perdendo.
O treinador do México cometeu uma bravata antes do jogo, dizendo que o México ia jogar como a Argentina. Ora, não só não jogou como a Argentina, como ainda jogou muito mais como os times mexicanos costumam jogar: blindagem no meio da defesa, saída rápida em contra-ataques e jogo aéreo, este um tormento para nossos beques, que a essa altura já não podem nem ser chamados de zagueiros a nossa dupla de área. E uma seleção apática e sem padrão de jogo entrou na esparrela: afunilava o jogo pelo meio e, nas poucas oportunidades de gol, nossos atacantes fizeram o impossível para desperdiçá-las.
Agora, só nos resta torcer para que, ou o Japão nos despache mais cedo, para evitar o vexame contra Argentina ou Alemanha, ou os jogadores acordem de seu sono e de sua apatia e adotem uma postura mais à altura de seu talento, em vez de ficarem presos aos esquemas idiotas de Mr. Parreira. Que esse negócio de agüentar um jogo bom, um jogo ruim, por causa da incompetência do técnico, já está cansando. Ou melhor, já cansou há muito tempo: só a mídia que puxa o saco de Mr. Parreira é que não vê. Maldito tetracampeonato! Devia-se poder pular o Mundial dos Estados Unidos, na história da Seleção Brasileira.
Não dá para esquecer aquela seleção! Por favor: outra vez, não!
P.S.:
Acho que Alemanha e Argentina deverá ser um jogo interessante:se o Brasil (tudo é possível, em futebol!) se classificar em primeiro na sua chave, vai ser duro ver dois times tentando entregar o jogo para ficar em segundo; se o Brasil se classificar em segundo, vai ser um pega para ficar em primeiro lugar na chave. Que dureza! Ou melhor, que moleza será pegar o Brasil.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 3:14 PM
Sexta-feira, Junho 17, 2005
BRASIL E GRÉCIA: UM JOGO IMPORTANTE
17.6.2005
A Grécia, campeão européia, é só isso e nada mais. Campeã da Europa com futebol de forte marcação e obediência tática canina. Não mais. Não podia assustar a Seleção Brasileira e não assustou. Fez bem o seu papel de coadjuvante. No entanto, o jogo foi importante para começar a delinear o time da Copa de 96. Espera-se que Mr. Parreira abdique, afinal, de suas convicções conservadoras e parta para uma equipe de futebol mais solto, como sempre jogou o Brasil, com exceção do time de 94, treinado pelo próprio.
A lição de 70 ainda é válida. Não nos esqueçamos de que aquele time parecia uma colcha de retalhos, de tão estranho. A começar pela dupla Pelé e Tostão: todos achavam que não daria certo o titular e o reserva jogarem juntos. Depois, ainda havia o Rivelino, meia improvisado na ponta esquerda. E Piazza, meio-campo, na zaga. Enfim, um time que, à primeira vista, parecia improvável. Mas não havia outro jeito: os melhores tinham de jogar. O jeito foi dar valor ao talento e achar um esquema tático adaptável às características da inteligência e da habilidade de cada um para chegar a um conjunto. O resto é história.
E a história parece repetir-se: há muitos talentos que não podem ficar de fora. Então, que se adapte o esquema aos jogadores que têm a habilidade e a inteligência para jogar. Comecemos pela zaga: não há defensores confiáveis, isso ficou claro. Então, que tal achar um Piazza para dar estabilidade à defesa. Pensaria em Émerson, um jogador que, embora não seja espetacular, tem um desempenho muito acima da média na marcação, além de alguma habilidade para sair jogando. Com ele na zaga, esta poderia ganhar a estabilidade que não tem tido, além de abrir uma vaga no meio de campo para o Juninho. O quadrado mágico, com Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Ronaldo estaria, assim, preservado. Ficou claro, contra a Grécia, que eles podem dar conta do recado, principalmente se estiverem em boas condições físicas para apertar a marcação no meio de campo e sair na habilidade em ataques e contra-ataques mortíferos.
E há ainda o luxo de vários reservas com condições de entrar no time sem prejuízo para esse esquema: os ex-santistas Renato e Diego, mais o tanque chamado Adriano (sombra mais do que importante para o titular), talvez Cicinho e Leo ou Gilberto, Gilberto Silva, enfim, há muitas opções de jogadores com habilidade e inteligência à disposição para se formar uma Seleção que, se não conquistar a Copa, poderá, no entanto, encantar o mundo do futebol. Essa foi, afinal, a lição grega.
P.S.: A minha seleção ideal (de técnico e louco, todos temos um pouco):
DIDA, CAFU, ROQUE JÚNIOR, EMERSON E ROBERTO CARLOS; ZÉ ROBERTO, JUNINHO PERNAMBUCANO, KAKÁ E RONALDINHO GAÚCHO; ROBINHO E RONALDINHO.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:50 PM
Quinta-feira, Junho 16, 2005
RESSACA DA LIBERTADORES
16.6.2005
Engraçado: time de futebol tem química. A gente lê a escalação de um time e, às vezes, instintivamente, percebe que não vai prestar. Não pelos nomes isolados, mas pelo conjunto. Foi o que senti ontem, ao ouvir a escalação do Santos: um time estranho, sem liga, sem química, com nomes que não pareciam compor um time. Desastre anunciado, pensei. Anunciado e confirmado. Um time que pegou as camisas jogadas para cima, no vestiário. Todos esforçados, mas sem a liga que faz uma equipe e conduz à vitória. Ao contrário do Atlético: havia concentração, força, entendimento. Principalmente: havia determinação. De todos. Unidos para superar um grande obstáculo e conquistar a vitória. A vitória veio, mas o obstáculo não era assim tão grande. Quando o Gallo, aos vinte minutos do primeiro tempo, fez a primeira alteração, de ordem tática, pensei: a vaca já está no brejo e não vai sair. A confirmação desse pressentimento veio em seguida: o Zé Elias (como faz falta esse moço! Espere aí: ele não faz falta para o time, faz falta no adversário!), que já tinha o sempre esperado cartão amarelo, saiu por contusão, o banco do Santos parecia o Banco Santos: era um verdadeiro escândalo. Bem, a culpa do desastre não é só do treinador: houve e há circunstâncias atenuantes: contusões, Seleção Brasileira etc. Os jogadores que estavam lá não são ruins: se apresentados uns aos outros e à torcida, se entrarem aos poucos no time titular, até poderão fazer uma boa carreira. Mas juntar todos eles e botar pra jogar uma decisão de Libertadores, só pode mesmo ser desespero de causa... Enfim, ficou a ressaca. E torcer para que haja uma final brasileira nesse torneio que los hermanos já estão cansados de ganhar: São Paulo e Atlético na cabeça! Cabeça, não, que ainda está doendo... Eu ia dizer: assim não há tatu que agüente, mas é melhor dizer: assim, não há leão que... Ah, yes! o Leão está voltando! Yes e yenes, baby, muitos yenes!
ISAIAS EDSON SIDNEY - 3:19 PM
Segunda-feira, Junho 13, 2005
DE OLHO NO CAMPEONATO BRASILEIRO
13.6.2005
1. Quem aposta no Botafogo? Está em primeiro, quatro pontos à frente do Juventude (Juventude em segundo! e, pasmem, Ponte Preta em terceiro!) Mas terá fôlego para chegar ao título? Posso queimar a língua, mas o Fogão não emplaca o segundo turno, quando a briga começar para valer. Afinal, o futebol carioca está com um pé (ou seriam os dois?) na UTI.
2. Fluminense e Santos: um jogo feio, de muita marcação (houve momentos em que vi os argentinos sob a camisa rubra do Flu) e muitas, muitas faltas. Os dois times, desfalcados, jogando com a cabeça no meio de semana. Santos precisa vencer o Atlético que, com um só ponto no campeonato, deixa mais do que clara sua prioridade pela Libertadores. Portanto, luz vermelha para os santistas. E não é a da lanterna, não. O Fluminense não tem menos preocupação com o Paulista, outro que priorizou uma só competição, a Taça do Brasil, passaporte para a Libertadores. Também pisca uma sinal vermelho nas Laranjeiras.
3. A estréia do Giovanni, ou melhor, a reestréia: mostrou a categoria de sempre, mas está ainda perdido num time totalmente desentrosado, sem seus principais jogadores. Mas poderá dar grandes alegrias aos torcedores do Santos.
4. Rogério Ceni: um amigo ( olá, Alexandre!) me escreveu que o goleiro do São Paulo não serviria nem para carregar as chuteiras sujas de Banks, Rodolfo Rodriquez e que tais, além de ser arrogante. Que maldade! Rogério não é, sem dúvida alguma, o melhor goleiro do Brasil, mas é, com certeza, um dos melhores batedores de falta, talvez, do mundo. E isso tem tirado o São Paulo de cada encrenca!...
5. Corinthians e Flamengo: mais um jogo sem torcida. Não é a melhor punição para os desmandos de torcidas violentas, mas, pelo menos, já é um começo de punição. Os clubes precisam se conscientizar de que é a maior roubada apoiar torcida organizada. São elas, as torcidas ditas organizadas, um bando de vândalos formado de jovens que, sozinhos, seriam nossos filhos, irmãos, parentes e amigos, mas que, quando se juntam, formam uma onda de vândalos que não respeitam nada. São necessárias medidas mais enérgicas contra esses idiotas: banir dos estádios esse tipo de gente e punir exemplarmente os violentos, porque, afinal, FUTEBOL É VIDA, MAS A VIDA NÃO É SÓ FUTEBOL!
6. E o Atlético mineiro, hem? Até quando vai continuar fazendo a alegria dos cruzeirenses? Sei bem como é a rixa entre as duas torcidas em BH: não basta torcer por seu time, é preciso ver o outro em desgraça. De qualquer forma, é triste ver um time da tradição do Galo em situação tão desastrosa, sem qualquer ironia. Porque, afinal, o Cruzeiro também tem feito suas obras caritativas por aí...
7. Defesas brasileiras. Tenho uma grande dúvida: o número de gols do Campeonato Brasileiro é resultante da boa performance dos atacantes ou das péssimas defesas que andam grassando no futebol tupiniquim? Pendo para a segunda hipótese, pois o que se tem visto de beque ruim (disse beque? mas é beque mesmo!) por aí... Mesmo os que jogam no exterior costumam fazer suas bizarrices, para dizer o mínimo. Haja vista a defesa da Seleção... um desastre! Desastre que muita gente (mister Parreira incluso) atribui aos quatro atacantes que jogaram contra a Argentina, que não sabem marcar!!! Bem, assobiar e chupar cana ao mesmo tempo eu sei que eles não sabem, mesmo!
ISAIAS EDSON SIDNEY - 3:31 PM
Quinta-feira, Junho 09, 2005
DE QUADRADOS E REDONDOS
Argentina 3, Brasil 1. Lá em Buenos Aires. Ontem, 8 de junho de 2005. Data para não esquecer. Não pelo resultado, que é normal. Demos de 3 a 1 neles aqui, no primeiro jogo. O problema é a cabeça de mister Parreira.
Quando disse que a imprensa se entusiasma fácil por qualquer vitória (4x1 sobre o Paraguai), tinha na mente exatamente o que podia acontecer se o quadrado mágico jogasse mal. E o quadrado ficou mais quadrado ainda, ontem, diante da bola redonda dos argentinos, preparados e concentrados para dar um nó no Parreira. E foi o que se viu: um nó tático, técnico e físico. Correram, marcaram, sobraram em campo.
Solução do nó, para mister Parreira: no segundo tempo, tirar o Robinho e colocar o Renato. Nada contra o Renato: é um grande jogador. Mas, para quê? Quem estava jogando mal era todo o famoso quadrado, porque não tinha lá na frente um goleador hábil como o Ronaldo e o Gaúcho estava sem inspiração. Além disso, a defesa era aquela de sempre: de dar dó. Mas defesa se corrige com treino. Tem solução. O que pode não ter solução é a cara de quem não está entendendo nada do nosso treinador.
Mister Parreira às vezes escala e arma bem um time. Às vezes. Porém, se o adversário é mais esperto do que ele, a coisa se complica. Não sabe mexer no time, não sabe substituir e mudar o roteiro. Não é estrategista. Tudo bem: poucos treinadores têm a visão de um Tim, por exemplo. Mas, caraça! Trocar atacante por meio-campo com três a zero no placar já é demais.
Além do desastre do resultado, há outro que se avizinha: o recuo tático de mister Parreira. Podemos nos preparar para um time de novo defensivo e de novo tocador de bola. Porque é disso que mister Parreira gosta: toca para lá, toca para cá e, quem sabe?, um golzinho já é goleada. Definitivamente, a Argentina não ganhou o jogo, nós é que perdemos. E muito. Quem viver verá.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 1:21 PM
Segunda-feira, Junho 06, 2005
DESENHA-SE UM QUADRADO MÁGICO
A vitória sobre o Paraguai, um time bastante limitado, não deve despertar o exagero com que a crônica esportiva costuma tratar qualquer placar mais dilatado de nossa Seleção. Deve, isto sim, comemorar o nascimento na cabeça de mister Parreira de uma possibilidade que, há alguns meses, parecia improvável: o amadurecimento e, conseqüentemente, o aproveitamento de Robinho como titular.
Não há dúvida de que, em boas condições físicas e técnicas, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo são fora de série e titulares absolutos. Faltava um quarto elemento, um jogador que estivesse à altura das jogadas brilhantes desses três. Um jogador que soubesse aliar habilidade e inteligência para abrir defesas, que flutuasse na frente da área adversária e surgisse ora driblando, ora finalizando, ora servindo o centroavante. Esse jogador é Robinho.
Aí, sim, teremos um quadrado mágico como há muito tempo não se via no futebol: arte, inteligência, habilidade e força. Adriano que me desculpe, mas ele será um ótimo reserva para Ronaldo: tem a força, mas não a habilidade e a inteligência do Fenômeno. Esquenta lugar, mais nada.
No entanto, não nos entusiasmemos muito: nada garante que já contra a Argentina, mister Parreira não tenha de novo uma crise de defensivismo e mesmice, reforçando o meio de campo com um Gilberto Silva ou Ricardinho. Porque o nosso técnico, embora tenha, de vez em quando, uns relâmpagos salvadores de colocar os mais capazes para jogar, tem também recaídas históricas. Não sei se suas convicções burocráticas de um futebol de toque e excessiva valorização da posse de bola, de uma preocupação exagerada com a defesa, não voltarão a assolar sua cabeça.
Vamos torcer para que esses quatro cavaleiros que prometem atazanar as defesas adversárias mantenham-se nos planos de mister Parreira. Porque, nas demais posições, há pouco o que mudar. Com um bom zagueiro, que não seja o Lúcio, a seleção da Copa estará praticamente pronta. Pronta, pelo menos, para chegar às finais. Se será campeã, aí já é outra história.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:18 PM
Sexta-feira, Junho 03, 2005
TORCIDAS!
Torcer por um time de futebol... sofrer quando perde, comemorar quando ganha! Isso tem, no entanto, um limite muito claro. Futebol é só um esporte que se joga, talvez o mais interessante já inventado pelo homem. Mas é só. A torcida por um time termina quando começa o fanatismo, o tal do ¿torcedor doente¿. Aliás, o nome não poderia, em português, ter melhor conotação. Só pode, mesmo, ser doente, qualquer torcedor fanático, daqueles que adoecem quando o time perde e confundem a utopia de uma vitória com a vida real.
Quem age assim não é ¿torcedor¿: é idiota. Sofre por algo que deve ser curtido, admirado, não tornado uma forma fanática de religião. É quando o torcer se transforma em distorcer. É quando se chega ou se pode chegar ao matar e morrer e, antes disso, cometer tais disparates, que nenhuma lógica explica. Aliás, a lógica nem explica por que torcemos e, principalmente, por que torcemos por determinado time. Deixemo-la, portanto, de lado e convoquemos apenas o bom senso.
Não é de bom senso agredir o outro porque esse outro torce por um time diferente. Isso é ponto pacífico. Então, por que a selvageria? Por que a barbárie?
Na Europa, não sei se já domaram os hooligans. Acho que não. Cidadãos razoáveis, quando isolados e em seu habitat natural, tornam-se monstros destruidores e assassinos, ao se encontrarem na ¿defesa¿ das cores de seu time. O mesmo vale para as ¿torcidas organizadas¿, no Brasil. Rapazes de famílias estruturadas, normais, também viram cruéis vândalos de terceiro mundo, quando acobertados pelo grupo, pelo ¿esprit de corps¿ de uma associação que não devia, sob nenhum aspecto legal, ter existência, porque um clube e sua marca são patrimônio de seus associados e não pode ser usurpado por um bando de imbecis uniformizados. Existem por leniência ou demagogia dos diretores de clubes e por inoperância de nosso sistema jurídico.
É tão absurdo matar e morrer por um clube de futebol, quanto usar esse mesmo esporte para achacar o adversário e expressar idéias excludentes de racismo e preconceito. É tão absurdo que países ditos do primeiro mundo, como os europeus, permitam que torcedores façam gestos obscenos e gritem frases racistas contra jogadores negros, quanto, na Argentina, por exemplo, as autoridades serem obrigadas a excluir do campo uma das torcidas, quando jogam times adversários de longa tradição de rivalidade.
É preciso que um pouco de bom senso, já que tudo é tão irracional, comece a invadir a cabeça das pessoas, seja na Europa, na América ou na Austrália. Futebol é só um jogo maravilhoso, mas um jogo! Que passa como uma brisa fantástica aos nossos olhos e dura noventa minutos. Noventa minutos que devem ser apenas de magia para todos e não de dor e desespero para os adversários dos derrotados.
Que a imprensa, as autoridades, os dirigentes esportivos do mundo se aliem na luta contra o preconceito e a violência ¿ não sei qual é pior ¿ no futebol. Caso contrário, esse fantástico invento humano pode tornar-se um frio espetáculo visto apenas por torcedores isolados em suas casas, através das telas da televisão, com os estádios vazios e tristes, condenando-o, afinal, ao desaparecimento.
ISAIAS EDSON SIDNEY - 2:48 PM